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Indução Floral - Manga

A manga é uma das frutas tropicais que passou a ser vista como uma alternativa frutícola com boas perspectivas econômicas para o Brasil. O interesse pelo seu cultivo ocorre devido à excelente qualidade nutritiva da sua fruta e a apreciação desta no mercado consumidor do mundo inteiro, além de ser responsável pela geração de empregos e divisas para diversos países.

Apesar da expansão do seu cultivo nos diversos países produtores do mundo, nos últimos anos, a manga produzida no Brasil atende aos mais exigentes mercados consumidores, tanto internos como externos devido às condições edafoclimáticas serem favoráveis ao cultivo. Em conseqüência disto, nos últimos anos a manga brasileira vem ganhando novos mercados, em função da produção de frutos de qualidade.

FLORESCIMENTO E FRUTIFICAÇÃO
FATORES RESPONSÁVEIS PELO FLORESCIMENTO

A mangueira é conhecida pela bienalidade de produção, causada pelo florescimento irregular e queda de frutos. Há alternância de produção em todas as condições climáticas. Podendo a alternância está associada a um ou mais fatores, tais como:

MATURAÇÃO FISIOLOGICA DOS RAMOS

O crescimento vegetativo da mangueira caracteriza-se por apresentar ciclos em fluxo vegetativo (Figura 1). O número e freqüência dos fluxos emitidos pela planta dependem: da variedade cultivada, idade da planta, produção da safra anterior, condições climáticas e variação dos níveis de giberelinas presentes nos brotos das plantas.

A paralisação do crescimento vegetativo da mangueira (Figura 2) é necessária para que haja iniciação à floração (Figura 2) e, posteriormente, frutificação e desenvolvimento dos frutos. Alcançada a maturação das folhas 75 dias após seu surgimento.
Fig. 1 - Fluxos vegetativos

Fonte: Elma Machado Ataíde, Livramento de Nossa Senhora, BA, 1996)

Fig. 2 - Maturação folhas

Fonte: Elma Machado Ataíde, Livramento de Nossa Senhora, BA, 1996)

Fig. 3 - Florescimento

Fonte: Elma Machado Ataíde, Livramento de Nossa Senhora, BA, 1996)

CONDIÇÕES CLIMÁTICAS

A produção comercial de manga é geralmente limitada quando não se tem estação de seca e de chuvas definida. Em condições de trópicos úmidos as mangueiras, freqüentemente produzem fluxos vegetativos, flores e frutos em brotos com diferentes idades. Quando, em condições de trópicos áridos e semi-áridos, com estações de frio e seca definida, o crescimento vegetativo é intenso na estação úmida, e há grande florescimento na estação seca.

As baixas temperaturas e o estresse hídrico são fatores responsáveis pela paralisação do crescimento vegetativo e diferenciação celular das plantas, sendo indispensável na floração e frutificação em mangueiras. Em condições não favoráveis ao estresse com baixa temperatura, tem-se utilizado o estresse hídrico, que por sua vez, se estende por um período que varia de 30 a 90 dias. Os resultados obtidos com uso desta técnica são significativos, tanto na paralisação do crescimento vegetativo como na maturação dos ramos. Entretanto, observações realizadas nestas condições, mostram um efeito não significativo no florescimento, quando o período de estresse é subitamente interrompido por uma chuva ocasional, portanto, meios mais efetivos no controle do crescimento vegetativo e florescimento em mangueira é muito importante.

Desta forma, os produtores mais tecnificados tem substituído o estresse hídrico por um inibidor de crescimento vegetativo, conhecido por paclobutrazol, pois o mesmo independe das condições de umidade do solo. Os resultados obtidos são bastante significativos tanto no percentual de florescimento e aumento da produção, quando comparado ao método convencional, aplicado aos 80 a 120 dias antes da indução floral.

USO DE FITORREGULADORES

A maioria dos países produtores de manga do mundo planeja a sua produção em época mais apropriada de clima e quando não há grande concentração de safra e preços baixos de mercado. No Brasil, principalmente, nas condições do semi-árido, permite a produção de manga em épocas de baixa concorrência no mercado, em função das condições edafoclimáticas (água, solo, umidade relativa, temperatura e luminosidade) serem ideais ao seu cultivo, principalmente, quando aliado às técnicas da indução, com uso combinado do paclobutrazol, nitrato de potássio, nitrato de cálcio e outros.

Os produtores buscam o incremento da produção de manga, com uso das técnicas da indução floral, como: estresse hídrico, incisão anelar, manejo da cultura e fitorreguladores, uma vez que, essas técnicas tornam possível a regularização da oferta da manga durante todo o ano, estabilizando assim os preços de mercado.

O anelamento é uma prática utilizada em plantas frutíferas de forma isolada ou combinada com fitorreguladores, buscando a antecipação e aumento de florescimento. O uso desta prática na paralisação da translocação de fotoassimilados para as raízes, como meio de indução à floração em mangueira.

Pesquisas vêm sendo desenvolvidas com uso de substâncias inibidoras de crescimento, em vários países produtores de manga do mundo, como a Austrália, Indonésia, Malásia, Tailândia, Paquistão, Brasil, dentre outros, com uso do paclobutrazol no controle do crescimento vegetativo na redução do alongamento das brotações, antecipação de florescimento, nas brotações florígenas e um significativo vingamento de frutos. No entanto, a ação como inibidor de crescimento vegetativo, depende de um conjunto de fatores, tais como: estrutura do solo, temperatura, estágio nutricional das plantas e outros.
Fig. 4 - Pulverização via foliar com KNO3.

Fonte: Elma M. Ataíde, Livramento de Nossa Senhora, BA, 1996

No Brasil, principalmente, os produtores tecnificados da região Nordeste o paclobutrazol é aplicado nos meses de novembro a dezembro. As doses variam de 0,5 a 1,0g do i.a. do produto por cada metro em diâmetro de copa. O produto é diluído em água e aplicado debaixo da copa da planta. Quando aplicado via foliar, as doses variam de 1.000 a 2.000 mg. L-1. A aplicação do produto à base de nitrato é realizada aos 80 a 120 dias após aplicação do paclobutrazol, que ocorre, geralmente, os meses de março e abril, como interruptor de dormência de gemas florais. A irrigação é reduzida cerca de 30 dias antes da indução, para 30 a 50% da lâmina aplicada.
Fig. 5 Florescimento da mangueira em resposta à aplicação com KNO3.

Fonte: Elma M. Ataíde, Petrolina, PB, 1998

As pulverizações com produtos contendo nitrato têm sido significativas na resposta à indução floral, com intervalos de aplicação que variam de cinco a dez dias. Os horários ideais das pulverizações são no final da tarde ou à noite, devendo ser evitados horários mais quentes do dia ou com ventos fortes, para evitar queimaduras das folhas. As concentrações mais utilizadas variam de 2 a 5% para o nitrato de potássio e de 2 a 4% para o nitrato de cálcio. Deu-se início ao uso da thiourea, aplicada a 0,5% em gemas florais induz a floração.

Data Edição: 20/01/2003
Fonte: Toda Fruta

Raphael Chespkassoff

Raphael Chespkassoff

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