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Jambolão - A cor da saúde

Tânia da Silveira Agostini-Costa1; Dijalma Barbosa da Silva2

O jambolão (Syzygium cumini Lamarck), também conhecido como jamelão, pertence à família Myrtaceae, que inclui também espécies de outras frutas tropicais bastante consumidas no Brasil como a goiaba (Psidium guajava L.) e a pitanga (Eugenia uniflora L.).








Foto - Frutos verdes, de vez e maduros de jambolão (Syzygium cumini). Foto: Carlos A. R. Costa.

Originário da Índia, o jambolão adaptou-se muito bem às condições de solo e clima do Brasil, tornando-se espécie subespontânea na região Nordeste. A árvore frondosa produz pequenos frutos ovóides, que são roxos quando maduros, parecidos com uma azeitona. O sabor é suave, sem aroma característico forte, embora um pouco adstringente ao paladar.

Na Índia, além de ser consumida in natura, a polpa do jambolão também é utilizada na produção de doces e tortas. O chá das folhas e das sementes da espécie também é muito conhecido na medicina popular indiana, principalmente pelos efeitos hipoglicemiantes. Diferentes estudos sugerem que o tratamento com o extrato da semente de jambolão reduz a glicemia de ratos diabéticos. Entretanto, segundo Oliveira e colaboradores (2005) o extrato das folhas de jambolão não apresenta o mesmo efeito.

A espécie cultivada como planta ornamental no Brasil, é muito comum nos canteiros e quadras de Brasília, DF. A coloração roxa da polpa dos frutos apresenta um grande impacto visual devido à presença de antocianinas, pigmentos antioxidantes hidrofílicos também encontrados em frutas como a uva (Vitis sp.) e o “blueberrie” (Vaccinium sp.), que apresentam como vantagem a alta solubilidade em misturas aquosas. Entretanto, segundo a publicação Alimentos Regionais Brasileiros do Ministério da Saúde (2002), a coloração arroxeada provoca mancha nas mãos, tecidos, calçamentos e pinturas de carros, tornando-o pouco indicado para preencher espaços públicos.

Artigo publicado por J. Veigas e colaboradores na revista Food Chemistry em 2007 confirma a presença de três antocianinas principais identificadas como glucoglucosídeos da delfinidina, petunidina e malvidina. Segundo o artigo, os elevados teores de antocianinas encontrados no jambolão (230mg/100g em base seca) são equivalentes aos teores encontrados nos “blueberries”, recentemente classificados como a primeira comodite nutracêutica de grande valor comercial. Os resultados apresentados sugerem que a elevada atividade antioxidante do extrato de jambolão, aliado ao forte potencial corante do mesmo, com características desejáveis de solubilidade e estabilidade, poderiam estimular a incorporação do extrato como aditivo natural para ser empregado em alimentos e em formulações farmacêuticas.

Foto - Flores de jambolão (Syzygium cumini). Foto: Carlos A. R. Costa.

A adstringência da polpa de jambolão deve-se à presença de taninos, compostos fenólicos de alto peso molecular, que também estão presentes em frutas como o caju (Anacardium sp.) e a banana (Musa sp.) verde. À medida que as frutas amadurecem, geralmente ocorre uma redução da adstringência, que é atribuída à perda de solubilidade do tanino. Porém, em pequenas proporções ou em combinação com outros componentes do alimento, a adstringência pode contribuir para um sabor desejável, como em vinhos feitos com cultivares de uvas pigmentadas. Os taninos, quando ingeridos em grande quantidade, podem precipitar proteínas, inibir enzimas digestivas e afetar a absorção de vitaminas e minerais; por isso, ainda podem ser considerados nutricionalmente indesejáveis. Entretanto, atualmente, os resultados negativos envolvendo esta classe de compostos fenólicos na alimentação têm sido revistos. Diferentes moléculas de taninos, como aquelas presentes no chá verde, estão sendo apresentadas como detentoras de atividade anticarcinogênica e de efeito antimutagênico. Assim, não parece seguro estimular a ingestão de grandes quantidades de taninos, embora as pequenas quantidades naturalmente presentes nas dietas equilibradas com frutas e verduras pareçam ser benéficas para a saúde humana.

No Brasil, artigo publicado na Revista da sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos em 2006 avaliou a produção da geléia de jambolão. A geléia mostrou-se apreciada, após análise de aceitação sensorial por 50 provadores que se manifestaram positivamente nos atributos analisados. O atributo cor foi o que mais agradou aos provadores, já que o processamento não destruiu a antocianina presente na fruta. Segundo os autores, a produção da geléia de jambolão mostrou-se viável, principalmente para o pequeno produtor (Lago e colaboradores, 2006).

Referências Bibliográficas

VIEGAS, J. M.; NARAYAN, M. S.; LAXMAN, P. M.; NEELWARNE, B. Chemical nature, stability and bioefficacies of anthocyans from fruit peel of Syzygium cumini. Food Chemistry, v. 105, p. 619-627, 2007.

LAGO, E. S.; GOMES, E.; SILVA, R. Produção da geléia de jambolão... Ciência e Tecnologia de alimentos, v. 26, p. 847-852, 2006.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Alimentos Regionais Brasileiros, 2002, 140.

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1 - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. tania@cenargen.embrapa.br
2 - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. dijalma@cenargen.embrapa.br

Data Edição: 04/01/2008
Fonte: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Raphael Chespkassoff

Raphael Chespkassoff

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