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Poda das Plantas Cítricas

INFORMAÇÕES GERAIS

A poda nas plantas cítricas adultas não é prática usual nos pomares do Brasil. É, no entanto, comum em alguns países do hemisfério norte, quando o objetivo principal é a produção de frutos para consumo ao natural. Nesses países, como a Espanha, a Itália, Israel, Japão e outros, a poda tem sido bastante estudada. Sua evolução para métodos mais práticos, com uso de equipamentos mecanizados, permitiu maior agilidade na execução dos serviços. Nos Estados Unidos a poda mecânica é prática comum mesmo em pomares cujos frutos são destinados à indústria.

Na Flórida a poda em plantas cítricas é prática comum e visa os seguintes benefícios:

a) manter a possibilidade de entrada e trânsito de equipamentos;
b) minimizar os efeitos negativos do sombreamento;
c) reduzir o excesso de frutos, com ganho no tamanho médio e redução de alternância de produção;
d) eliminar parte da copa próxima ao solo, que usualmente produz frutos com danos.

A poda e sua necessidade dependem de vários fatores, tais como:

a) o vigor da combinação copa/porta-enxerto;
b) a arquitetura da muda, sua altura e tipo de formação;
c) o espaçamento de plantio no pomar;
d) o manejo e o tipo de solo do pomar;
e) o manejo do pomar quanto à irrigação, adubação e outros.

No Uruguai, onde se desenvolveu uma citricultura de exportação de fruta fresca, a poda é recomendada e realizada, sendo feitos vários tipos de corte, como o desponte, o encurtamento, o raleio e o rebaixamento (Figura1).

Em nosso meio, alguns tipos de poda já são usuais e há tendência para que a poda mecânica se torne importante devido ao plantio em maior densidade dos pomares nos últimos anos, visando elevar a produtividade por área.

Quaisquer que sejam os objetivos da poda, é necessário que sejam conhecidas as bases para a sua realização em plantas cítricas, os métodos e tipos de podas que se adaptem melhor a cada condição. Neste trabalho são discutidos tais assuntos, com base em conhecimentos de pesquisas recentes realizadas em diversos países, visando adequar as informações disponíveis à situação da citricultura brasileira.

RAZÕES PARA PODAR OS CITROS

As principais razões que levam o citricultor a executar podas em plantas cítricas, são as seguintes:

a) educar a formação da planta;
b) melhorar o fornecimento de luminosidade ao interior das copas;
c) forçar novas brotações;
d) melhorar a qualidade dos frutos;
e) auxiliar o controle de doenças e pragas;
f) reduzir o porte das plantas melhorando a eficiência na aplicação de defensivos e nutrientes;
g) eliminar ramos decadentes;
h) rejuvenescer plantas.

A formação da copa visa a dar uma altura padrão ao tronco principal e melhor distribuição das pernadas ou ramos secundários, o que leva a um tamanho de planta mais uniforme, com melhor conformação da copa. A poda de formação é usada normalmente para todas as plantas cítricas.

A melhor luminosidade no interior da copa pode ser obtida com certos tipos de poda, levando à formação e produção de frutos de melhor qualidade, o que é também um dos objetivos da poda. Um método utilizado em Israel, chamado de “janela”, abre uma área no topo da copa e possibilita maior produção de frutos no seu interior.

O forçamento da brotação é estimulado pelo uso da poda. Sabe-se que os citros produzem no ramo do ramo, sendo portanto muito importante a indução de maior vegetação, que possibilitará maior florescimento e frutificação.

A melhoria da qualidade dos frutos, principalmente quando se trata de sua produção para mercado ao natural, é uma das razões mais importantes para o uso da poda em diversos países. Em Israel, em trabalho com tangerina ‘Clementina’ obteve efeito positivo no tamanho do fruto, além da produção e manutenção do tamanho reduzido da copa. Os resultados obtidos por esse autor, em plantas podadas durante 27 anos, informam que nos últimos dez anos a produção alcançou 50 à 70 t/ha. Os frutos eram de tamanho médio considerado bom, até maiores que 53 mm, além de poderem ser colhidos mais cedo.

A poda como auxiliar no controle de doenças e pragas, principalmente as que se desenvolvem no interior da copa das plantas, é muito importante. Dentre vários resultados conhecidos, o controle das doenças rubelose, leprose e melanose tem nessa prática cultural as aplicações mais importantes em nossa citricultura.

O trânsito freqüente de tratores com implementos diversos nas entrelinhas do pomar só é possível quando há espaço suficiente. Nos espaçamentos mais densos, haverá necessidade de poda no sentido das linhas das plantas, abrindo espaço para permitir os tratos culturais como: roçadas, pulverizações, aplicação de fertilizantes, colheitas e outros.

A eliminação de ramos no interior da copa, além de auxiliar no controle de doenças e pragas, também melhora areação e penetração das caldas de pulverização. É uma poda simples feita normalmente no inverno com excelentes resultados para sanidade dos pomares.

A longevidade média das plantas cítricas em nossas condições de clima tropical é menor que a de outros países, em clima subtropical, devido principalmente à aceleração do metabolismo biológico dos climas mais quentes. Plantas que nunca foram podadas, desde que estejam em boas condições de sanidade e vitalidade, podem responder bem à poda de rejuvenescimento, o qual vai ampliar sua longevidade.


BASES PARA A PODA DOS CITROS

Alguns conhecimentos básicos são importantes para a poda de plantas cítricas:

a) conhecer seu hábito de crescimento e produção;
b) conhecer sua necessidade de luz e seu efeito na produção;
c) qual é a área produtiva da copa;
d) a influência do balanço carboidratos/nitrogênio;
e) a longevidade da planta cítrica e seu efeito na produção;
f) conhecer o efeito da poda;
g) saber quando e como podar.

A prática da poda deve ser efetuada tomando por base os conhecimentos apontados, a fim de viabilizar práticas culturais, tais como: adubação, irrigação, controle fitossanitário e outros cultivos, para que se obtenham os resultados esperados.

O hábito normal de crescimento das plantas cítricas é geralmente no sentido vertical, com os ramos tendendo a crescer para cima. A poda de formação tenta induzir o início de abertura das copas para um crescimento lateral, estabelecendo-se novas brotações. Nestas brotações vencido seu período de juvenilidade, inicia-se a produção de frutos. A poda rigorosa em plantas jovens é contra-indicada, pois pode levar a um crescimento vigoroso que atrasa a produção. As partes mais jovens da planta, na região inferior e dentro da copa, provenientes de várias multiplicações dos tecidos, têm maior capacidade produtiva.

A necessidade de luz para produzir a fotossíntese dos tecidos verdes é de importância primordial para as plantas.

Em espaçamento muito pequeno elas recebem menor iluminação da copa, podendo aparecer áreas menos produtivas, concentrando-se a produção apenas nos ponteiros.

O balanço carboidratos/nitrogênio é sabido que pode afetar a produção. O déficit de um ou de outro pode levar à queda de produção e ao menor crescimento das plantas. Mesmo que a planta tenha nível satisfatório de nitrogênio, se houver déficit ou nível baixo de carboidratos, a produção pode ser afetada, embora a planta tenha um crescimento aparentemente normal.

Há evidências de que a disponibilidade de carboidratos, em nível adequado de fósforo e um bom balanço de carboidratos/nitrogênio é essencial na regeneração dos brotos nos citros.

A idade da planta influi na sua produção.

Todas as cítricas têm um período chamado de formação, até o início de sua produção, que vai aumentando até atingir um patamar médio, decorrente das características genéticas, do ambiente e dos tratos culturais. A longevidade também é dependente destas características. Há informações de que o efeito juvenil está associado à presença de reguladores de crescimento.
A concentração de amido também influi na vegetação da planta. Após um período longo de produção, ela entra em declínio, chegando ao envelhecimento.

O conhecimento do hábito de vegetação e frutificação e do potencial produtivo das plantas cítricas de um pomar, orienta o uso correio da poda apropriada. A época mais indicada para a execução da poda no pomar em produção, é logo após a colheita de frutos visando a formação de novos ramos que terão capacidade de produzir na estação seguinte. Em São Paulo esta época coincide com o outono/inverno para as variedades precoces; para as tardias, a presença de frutos na planta indica que a poda deve ser mais rigorosa em anos de baixa produção e mais leve nos de alta, para evitar maior perda de frutos. Estudo de poda feito na Espanha, em laranjeira Salustiana, deram bons resultados na redução da freqüência das podas anuais para intervalos superiores a 6 anos, sem haver redução do tamanho das laranjas Salustiana, enquanto a média de produção por planta aumentou. Com laranjas Bahia o tamanho foi levemente superior com poda convencional, mas a produção não foi significativamente menor que a das plantas podadas, devido que as podas são muito mais severas e mais freqüente do que necessário.


TIPOS DE PODA

Formação

É a poda básica de planta cítrica, na qual o tronco principal é podado geralmente a 60 cm, menos ou mais em certos casos de copas que necessitam uma formação mais baixa ou mais alta. É feita no viveiro, procurando-se deixar que a copa seja formada com três a cinco pernadas, saindo de posições diferentes em espiral na parte superior. Como complemento desta poda, quando a muda é arrancada do viveiro, as pernadas são reduzidas a 20 – 30 cm e o sistema radicular também é podado, formando torrão com 20 cm de diâmetro e 30 – 40 cm de altura. Na muda de raiz nua, o sistema radicular também é podado na mesma proporção.

A formação pode ser complementada após o plantio no pomar, mas usualmente o que se faz nas mudas são podas de desbrotas no tronco até as pernadas. Raramente é necessária a poda no centro da copa, entre as pernadas, a não ser quando houver uma superbrotação e for conveniente reduzir alguns brotos mal posicionados. Mudas de “palito” são formadas no pomar.

Rejuvenescimento

Esta poda pode ser executada em plantas com certa idade e que já dão sinais de envelhecimento, tais como pouca vegetação, folhas pequenas e queda da produção. Devem ser plantas sem problemas fitossanitários sérios e que têm potencial de recuperação pela poda. É um tipo de poda drástica, podendo deixar apenas as pernadas principais, havendo em conseqüência uma completa renovação da copa. Essa poda deve ser seguida de uma boa adubação e revolvimento do solo, com subsolagem se for necessária. E imprescindível o pincelamento do tronco, com uma água de cal, logo após a poda. Das novas brotações que surgirem devem ser eliminadas as mais fracas ou situadas em posição inadequada. Como norma pode-se deixar um ramo a cada 20-30 cm das pernadas, eliminando-se os brotos mais internos. Após um ano, a nova copa estará formada e voltará a produzir alguns frutos. Há uma redução de produção na fase de formação da nova copa, em relação à produção anterior, até o segundo ano da poda. A esqueletização é outro tipo de poda que pode ser usado no rejuvenescimento.

Difere do tipo anterior apenas por serem deixados mais ramos na copa, embora também seja drástica, pois todas as folhas são retiradas.

Podas de tratamento de inverno

É a poda típica de auxílio ao controle fitossanitário. É executada usualmente no inverno, mas a qualquer momento, quando necessárias. Para controle de rubelose, leprose, CVC, cochonilhas e gomose têm efeito benéfico muito acentuado. Além de ter ação direta, pela retirada do ramo afetado, a limpeza e aeração da planta facilita o controle de pragas e doenças futuras. A poda de inverno difere do tipo de tratamento por ser mais definido quanto à época de execução e retirada de ramos secos ou em exposição inadequada, nem sempre doentes. Tem os mesmos efeitos benéficos da poda de tratamento.

Poda lateral

Caracteriza-se como poda de controle do tamanho da planta e pode ser aplicada nas que iniciam fechamento, sombreando a parte baixa, ou em pomares fechados, com início de seca de ramos, os quais serão removidos pela poda. Pode ser executada onde haja necessidade de maior espaço para passagem de tratores e implementos, principalmente para a eficiência das pulverizações. Dependendo da intensidade pode reduzir a produção seguinte e geralmente melhora a qualidade do fruto. Um problema sério desta poda é a retirada ou a incorporação dos restos podados.

Algumas pesquisas recentes têm dado informações sobre o efeito deste tipo de poda. Um destes trabalhos, da Itália mostrou que a poda bilateral leve, auxiliada pela redução manual da altura da planta, com iluminação da área central da copa e remoção de 25% das plantas, em pomar de laranjeira ‘Tarocco’ enxertada em laranjeira azeda, no espaçamento de 6,0 x 4,0 m, com 13 anos de idade, resultou em aumento médio de 100% em relação à testemunha (não podada), na soma de três colheitas. O tamanho médio do fruto não foi afetado negativamente pela poda. Ao contrário foi melhor que o da testemunha.

No Texas, foi mostrado que o efeito da poda lateral em plantas de pomelo pode afetar a produção no primeiro ano seguinte. O volume de material podado tem relação direta com a produção após a poda.

Em Cuba o efeito da época e tipo de poda foi estudado para laranjeira ‘Valência’. A poda muito forte tarde (fevereiro a abril nas condições locais) afetou a produção seguinte.

Poda do Topo

Tem a finalidade de reduzir o tamanho da planta e geralmente é realizada associada à poda lateral. Diminui a produção seguinte, pela redução drástica do tamnho da planta. Deve ser executada em plantas muito grandes, onde os tratos culturais estão dificultados. Há estudos mostrando que é uma poda que retira muito da copa e afeta a produção inicial seguinte.

Desbaste de Plantas

A retirada de plantas do pomar pode ser considerado um método de manejo auxiliar à poda, pois visa dar mais espaço e luz às plantas remanescentes. É usado para pomares muito fechados onde a poda não seria suficiente. Não é um método aconselhável pelas dificuldades de execução e custo muito alto. Dados experimentais mostram que pode ser econômico em algumas condições. Em Israel foram relatados dados de dois experimentos: um de pomelo com 11 anos, a 6,0 x 3,0 m, que se tornou fechado, com plantas de 5-6 m de altura.
Foi executado um estudo de retirada de 50%, 25% e 0% (testemunha) das plantas. Os resultados estão na Tabela 1.

Em outro experimento com plantas de pomelo, com 18 anos, em pomar fechado, foram retiradas 50% ou mais das plantas e podadas com poda de “janela”. Os resultados estão na Tabela 2.




Data Edição: 23/07/2003
Fonte: Toda Fruta
Raphael Chespkassoff

Raphael Chespkassoff

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